Sobre o Artesão

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Cenografia

Foto: Chico Castro

Minha trajetória como artista/artesão iniciou-se nos anos 90. Como artista plástico minhas primeiras obras foram em tela com tinta acrílica, nanquim e colagem.

Na cidade de São Paulo, onde resido, tive o privilégio de expor as minhas obras em importantes centros de arte, como MASP, Memorial da América Latina, Centro Cultural São Paulo, além dos salões de arte contemporãnea na cidade de Araras e Santo André. Meus trabalhos na área das artes plásticas sempre foram na temática concretista, geométrica e optical-art.
 

Como sempre gostei das texturas, cheiros e cores de madeira, comecei, em paralelo, a restaurar, reciclar e customizar alguns móveis. No entanto, o que era para hobby, acabou, por fim, ganhando grande importância na minha criação: lidar com móveis e peças antigas, carregadas de memórias, e dar a elas um novo sentido. Foi então que percebi que a marcenaria por fim ocupou o espaço que a pintura tinha.

Busco trazer a reciclagem como alicerce do meu trabalho. Trago, como parte estrutural da Paulo Ferrari - Marcenaria Artesanal, a ideia de resgate de móveis usados, descartados ou quebrados. A estes procuro devolver sua função original ou, até mesmo, dar-lhes uma nova função. Algumas partes de móveis danificados como pernas de mesa, gavetas ou portas podem se transformar em outra peça. Exemplo disso é transformar uma porta em rack, baú em mesa, pés de cama em bar. 

Efetuo diversos trabalhos sob encomenda e muitos clientes me procuram para recuperar aquele móvel antigo de família que foi se deteriorando pelo tempo. Geralmente essas peças são carregadas de memórias pessoais e tem muita importância para o cliente. Neste caso, a minha tarefa é devolver a funcionalidade do objeto.  Por isso, quando o móvel está avariado, busco utilizar elementos de outra peça para reaproveitar a peça original.  

Desta forma a grande maioria das peças por mim criadas são únicas. Geralmente executadas com mais de um tipo de madeira e sempre revelando a madeira como ela realmente é, exibindo suas diferentes cores, veios e nós, o que me levou a trabalhar também com marchetaria, que é unir madeiras de diferentes cores e veios para formar uma nova peça a ser utilizada na movelaria que desenvolvo. A marchetaria acabou se tornando importante no meu trabalho pois desta forma posso reaproveitar as sobras de diferentes madeiras e compor uma "madeira" nova.